No final dos anos 90, após nove moradores da cidade de Des Moines, capital do estado de Iowa, se encontrarem, surge a banda Slipknot.
Com influências de Black Sabbath, Slayer e Sepultura, a banda pegou carona no estouro das bandas de Nu-Metal pós-Korn, e ganhando destaque, devido a incrível capacidade musical e também a aparência dos integrantes, trajados de máscaras horripilantes (críticos achavam a aparência da banda ridícula) e macacões industriais.
Outra marca da banda desde o início, é ter dado o “carinhoso” apelido de maggots aos fãs.
As letras da banda sempre foram niilistas, sombrias, raivosas e melancólicas, o que caiu como uma luva no mercado musical da época.
Pronto! O fenômeno Slipknot surgia!
Com seu nascimento em 1995, na já citada cidade de Des Moines, a banda conta com: Sid Wilson, DJ (número 0), Joey Jordison, bateria (número 1), Paul Grey, baixo (número 2), Chris Fehn, percussão (número 3), James Root, guitarra (número 4), Craig Jones, programador (número 5), Shawn “Clown” Crahan, percussão (número 6), Mick Thompson, guitarra (número 7) e o vocalista, Corey Taylor (número 8). A banda lançou seu primeiro trabalho em 1996, o tão cobiçado por todos os maggots do mundo: Mate.Feed.Kill.Repeat, raríssimo nos dias de hoje, graças a sua reduzida prensagem. Como o cenário musical de Des Moines era altamente monótono, a banda começou a ganhar uma certa fama na área. Após o interesse de algumas gravadoras, os caras acabaram tendo seu primeiro álbum distribuído por uma gravadora independente do estado de Nebraska chamada -ismist, com isso trazendo a atenção da major Roadrunner Records, que acabou por contratá-los e até hoje distribui os álbuns da banda.
O primeiro álbum na Roadrunner é o ótimo Slipknot, que elevou a banda a um novo patamar, onde somente bandas grandes estão. Produzido por Ross Robinson, este cd é considerado por muitos, um dos melhores na área do Metal e do Rock pesado em geral. Após o lançamento, a banda fez shows incessantemente para conseguir arrebatar mais “maggots”. Este número grande de shows culminou na apresentação do grupo no Summer Ozzfest, onde tocaram para um numero bem maior de pessoas e conseguiram um grande número de fãs. Por falar em shows, os do Slipknot causaram e ainda causam furor, graças a energia forte que a banda imprime no palco e as “bizarrices” dos caras! Sem contar que musicalmente todos os integrantes são muito bons, acima da média.
Com o tocar nas rádios dos singles “Wait And Bleed” e “Spit It out”, o grupo ganhou ainda mais espaço na mídia, porém o sucesso do Slipknot aconteceu em maior parte devido à boca-a-boca e a grande quantidade de shows. E na primavera americana de 2000, o álbum Slipknot (self-title) virou disco de platina, o primeiro disco platinado da Roadrunner, tornando a banda o ícone maior da gravadora.
Por causa do grande sucesso de seu disco homônimo, a segundo projeto do grupo era muitíssimo aguardada no meio musical. Porém, Iowa, o segundo disco do Slipknot, não agradou a todos e também não estreou em primeiro lugar na Billboard como esperado. Apesar de ter estreado em terceiro, e ter recebido criticas positivas por parte dos fãs, Iowa realmente não decolou. Depois de uma outra leva de shows e mais uma apresentação no Ozzfest, a banda deu um tempo em suas atividades para não causar muita superexposição, e também porque o grupo estava cansado das intermináveis tours. Durante esta folga do Slipknot, seus integrantes tiveram mais tempo para tocar seus projetos paralelos e atuar em outras áreas. O grupo criou seu próprio selo, a Maggot Recordings, e teve como primeira aquisição à banda Downthesun. Enquanto Jim Root e Mick Thompson trabalhavam em material solo, e Sid Wilson trabalhava debaixo do nome fantasia DJ Star Scream, Joey Jordison (atuando como guitarrista) trabalhava com um grupo chamado The Rejects e Corey Taylor iniciou uma banda intitulada Superego. Corey também contribuiu para a trilha sonora do blockbuster Homem-Aranha com uma canção solo, “Bother”. No verão americano de 2002, Joey se juntou ao guitarrista da fraca banda Static-X, Tripp Eisner, para formar o Murderdolls. Corey na mesma época reformulou sua antiga banda, Stone Sour, e lançou um ótimo álbum, aclamado pela crítica e até por aqueles que odiavam o Slipknot.Porém o clima não era tão amistoso e fresco assim nas “férias” do grupo.Taylor afirmou no site oficial da banda que seus integrantes não se falavam há meses, e que seria melhor que cada um tomasse seu rumo.
No inicio de 2003, o Número 8 retirou suas palavras, e ainda por cima anunciou que um novo álbum do Slipknot estaria por vir. No meio do ano, os caras começaram a trabalhar com o fenomenal produtor Rick Rubin, considerado um dos melhores do ramo. No começo de 2004,o grupo fez uma tour preparatória para a Ozzfest e em Maio foi lançado o terceiro álbum da banda na Roadrunner, o muito prestigiado Vol. 3:The Subliminal Verses, considerado por muitos o melhor trabalho do grupo. Os caras ainda deram um “upgrade” nas máscaras, deixando-as mais futuristas. E então, novamente, o Slipknot seguiu sua rotina arrebatadora. Grandiosa tour e shows espetaculares por onde passam.
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sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Slipknot: revista lança edição especial dedicada à banda

A revista americana Revolver lançou uma edição especial totalmente dedicada ao Slipknot. A revista celebra os 10 anos do primeiro disco e traz fotos raras da banda, entrevistas exclusivas com o vocalista Corey Taylor, o percussionista Shawn “Clown” Crahan e o baterista Joey Jordison, falando sobre o presente e o futuro da banda além de depoimentos sobre o falecido baixista Paul Gray.
O site da revista liberou um trecho da entrevista do Joey onde ele fala sobre o momento no qual recebeu a notícia da morte de Paul: “Eu estava no avião (voltando para casa em Iowa), ele aterrissou e meu celular tinha umas 80 mensagens. Ai meu telefone tocou e era meu manager, Cory «Brennan», e ele me disse o que tinha acontecido, e, cara, eu fiquei louco. Eu meio que fiquei em choque. Eu disse 'porque você está me contando isso agora?' Corey disse algo como, ‘Eu estou contando isso, Joey... fique calmo...' Eu sentado ao lado de uma garota, ela está pirando e eu pensando que ia parar na cadeia porque estava começando a sacudir. Bom, eu destruí meu telefone no avião, na frente de todo mundo e eles tinham um tipo de polícia que veio atrás de mim e eu disse 'porque vocês estão me contando isso?!' Responderam, 'Bom, porque depois que você sair daqui as pessoas vão começar a falar, meus pêsames, sinto muito' Porque aqui «em Iowa» nós somos quase maiores que nosso governador... bem atualmente nós provavelmente somos. Então isso foi totalmente louco. Eu perdi meu melhor amigo sabe. E nós perdemos nossa alma gêmea musical".
O site da revista liberou um trecho da entrevista do Joey onde ele fala sobre o momento no qual recebeu a notícia da morte de Paul: “Eu estava no avião (voltando para casa em Iowa), ele aterrissou e meu celular tinha umas 80 mensagens. Ai meu telefone tocou e era meu manager, Cory «Brennan», e ele me disse o que tinha acontecido, e, cara, eu fiquei louco. Eu meio que fiquei em choque. Eu disse 'porque você está me contando isso agora?' Corey disse algo como, ‘Eu estou contando isso, Joey... fique calmo...' Eu sentado ao lado de uma garota, ela está pirando e eu pensando que ia parar na cadeia porque estava começando a sacudir. Bom, eu destruí meu telefone no avião, na frente de todo mundo e eles tinham um tipo de polícia que veio atrás de mim e eu disse 'porque vocês estão me contando isso?!' Responderam, 'Bom, porque depois que você sair daqui as pessoas vão começar a falar, meus pêsames, sinto muito' Porque aqui «em Iowa» nós somos quase maiores que nosso governador... bem atualmente nós provavelmente somos. Então isso foi totalmente louco. Eu perdi meu melhor amigo sabe. E nós perdemos nossa alma gêmea musical".
Slipknot (Rock in Rio, Rio de Janeiro, 25/09/2011)

Slipknot. Esse nome, para aqueles que acompanharam a performance da banda no Rock In Rio ficou marcado como uma das melhores apresentações do evento, ou no mínimo a que mais chamou a atenção. O Slipknot sempre foi uma banda excêntrica, seja por suas músicas pesadas, rápidas e com letras revoltadas ou por suas máscaras enigmáticas e macabras. Após a repentina morte do baixista Paul Gray em 2010, o Slipknot tinha uma única coisa a provar na noite do dia 25: provar a eles mesmos que é possível seguir em frente
Após a performance do Mothorhead, cerca da 30 min se passaram até que os ajustes fossem feitos para que assim o Slipknot pudesse entrar. Aqui vale a primeira ressalva dessa resenha: a introdução do show. A introdução veio a cargo dos temas “Iowa” e “742617000027” o que colaborou muito com o clima de extrema apreensão/angústia. Nesse momento, a banda foi adentrando no palco aos poucos. Comemorando o aniversário de 10 anos do lançamento do seu segundo álbum de estúdio “Iowa”, os membros do Slipknot foram entrando um a um no palco trajando seus modelos antigos de macacões, mesclando também novas e antigas máscaras.
Os primeiros a aparecer foram o percursionista Shaw Crahan carregando em seus ombros o “pequenino” baterista Joey Jordison. O DJ Sid Wilson - protagonista de um dos momentos ápices do show – tentava pular para o meio da platéia, dando um enorme trabalho aos seguranças que tentavam tira-lo dali, trabalho esse que se estendeu durante todo o show. Shaw Crahan abraçava um membro da sua equipe de produção. Jim Root simplesmente segurava a sua guitarra, olhando fixamente para o público enquanto Mick Thomsom andava com a sua de um lado para o outro como se estivesse impaciente. O enigmático tecladista Craig Jones permaneceu estático durante toda introdução. Já o outro percursionista Chris Fehn entrou em transe com o seu kit de percussão. Tudo isso mostrava para o público que o que ocorreria naquela noite seria para muitos – banda e público - o momento mais apoteótico do Rock In Rio.
A apreensão do público era enorme. A introdução envolvia todos os presentes, assim como os membros da banda que se mostraram em êxtase ao ver o público que aguardava ansiosamente a banda executar a primeira música. Apreensão e um transe inexplicável tomaram toda a banda. Absorvendo toda a energia, o vocalista Corey Taylor, ao centro do palco, parecia aguardar ansiosamente o que o público poderia proporcionar à banda. Tudo o que o Slipknot fazia, assim como o público, era aguardar ansiosamente a introdução acabar. A empatia entre banda e público era grande e ambos estavam na mesma sintonia.
Então veio a contagem da bateria para a música “(sic)”. A cidade do Rock veio abaixo e mesmo aqueles que não conheciam diretamente o som da banda se deixaram levar pela intensidade da música, pela curiosidade de saber quem era aquele bando de caras com macacões de presidiários e máscaras medonhas ou pelo simples motivo de terem achado a banda um monte de loucos.
Durante todo o show, o Slipknot pareceu ser outro comparado às suas últimas apresentações. Desde a morte do baixista Paul Gray, o grupo fez apenas 12 shows - o primeiro foi em junho desse ano e o último em julho - e em todos os shows, a banda se mostrava meio abatida em relação às suas apresentações com Paul Gray. Porém, no show do dia 25 do Rock In Rio, a banda estava com a mesma empolgação da época em que o baixista ainda estava vivo. Parecia que, literalmente, Paul Gray estava com eles em cima do palco, fato esse que proporcionou algo que fazia tempo que a banda não sentia: se surpreender com o show e o público e curtindo-os, como se fosse o primeiro show de suas carreiras. A banda a todo o momento se mostrava pasma com o público, seja pela empolgação ou pelo surpreendente número de 100 mil pessoas no local. O Slipknot estava entorpecido de uma insanidade voluntária, sem precisar das drogas que os auxiliavam a fazer coisas insanas em tempos passados. Os integrantes estavam curtindo cada momento do show. Cada um a sua maneira, o Slipknot a cada música que passava reforçava sim que aquele seria o melhor show do Rock In Rio 4 e que a noite do dia 25 entraria definitivamente como a mais memorável da história da banda.
Nesse contexto, podemos enumerar 5 momentos ápices do show que contribuíram para esse feito:
- O primeiro momento, como dito antes, foi a apreensão dos integrantes e do público na introdução do show.
- O segundo momento foi antes de começar a música “Duality”, quando o DJ Sid Wilson, que diga-se de passagem foi de longe o mais doido da banda, resolveu escalar o house mix (lugar reservado para a equipe técnica) e ficou aguardando a música começar. Ao coro de 100 mil pessoas entoando em uníssono a introdução da música, a bateria Joey Jordison entrou e Sid Wilson simplesmente se jogou (!) de uma altura de mais de 5 metros em cima do público que veio a delírio. Não contente e dando muito trabalho aos seguranças, Sid subiu no house mix por uma segunda vez, repetindo assim o ato de se jogar no público.
- O terceiro momento foi ver a execução da música “Spit It Out” no qual Corey Taylor executou o já tradicional momento em que todos os presentes devem se agachar e pular juntos no dizer “jumpdafuckup”. Nesse momento, todos os presentes acataram ao pedido de Corey Taylor para “fazer a coisa mais maluca do mundo e entrar na história”. Todas as 100 mil pessoas se abaixaram a esperar ansiosamente a ordem de Corey para pular juntos e tornar aquele momento histórico. Para aqueles que acompanharam pela televisão, o respaldo obtido foi de que esse momento foi tido como um dos mais impressionantes do festival. “O melhor momento do show foi na 'Spit Out'. Nunca senti nada parecido na vida. É completamente louco estar entre 100 mil pessoas e todas elas fazerem a mesma coisa. Simplesmente insano ter participado disso!”, disse Michell Vinícius, técnico em informática.
- O quarto momento foi na última música “Surffancing”, em que a bateria de Joey Jordison através de um sistema mecânico começou a girar e a deixou na vertical, de cabeça pra baixo. Para quem é fã da banda, era algo já esperado. Para quem não era, o fato de ver o baterista tocar na vertical foi algo completamente fora do comum. Algo maluco e surreal. O que mais se ouviu na hora foi “o que é isso? Isso é muito louco!”. Mas o fato é que independente de ser fã ou não da banda, isso foi algo de extrema singularidade.
- O quinto e último momento foi ao final, quando os integrantes agradeceram imensamente ao público. Todos, em especial o vocalista Corey Taylor, o percursionista Shaw Crahan e o baterista Joey Jordison, talvez por serem mais próximos ao baixista falecido, ficaram muito emocionados. O Slipknot fez algo que em anos de banda eles não fazem de maneira tão intensa: agradecer ao público pelo suporte dado na noite, pelo carinho e pela extrema empolgação demonstrada. Eu ao menos não me lembro de ter visto a banda fazer esse gesto. Isto causou na banda uma grande comoção entre banda e público. Joey Jordison e Corey Taylor deram um abraço longo e emotivo ao fim do show e, logo depois, saudaram a platéia em uma redenção rara de se ver. Indo de encontro com a declaração de Corey Taylor ao fim do show que aquela noite ficou marcado na história da banda, após a apresentação do grupo, o guitarrista Jim Root afirmou em entrevista para a Multishow que aquele “foi o maior público para o qual o Slipknot já se apresentou na carreira”.
Teatrais e performáticos como antes, o Slipknot surpreendeu a todos que estavam presentes, fazendo com que todos pulassem, agitassem e cantassem todos os seus sucessos. O Slipknot “acabou” com o público e deixaram todos ali exaustos para ver o Metallica. Segundo Everton Oliveira, técnico em informática “O Slipknot detonou a platéia. Com certeza esse foi show mais completo que eu já fui em todos os sentidos. O melhor que eu já vi. Pura energia! Tudo no show foi memorável”.
Neste momento cabe um parênteses interessante. Mesmo quem nunca ouviu falar da banda, de um jeito ou de outro, se lembrará do Rock In Rio por causa daquele monte de doidos mascarados. Os caras marcaram não só aqueles que estavam lá, mas aqueles que também viram a performance do grupo pela TV. Para o Slipknot, a apresentação foi surpreendente, e igualmente surpreendente foi para aqueles que viram a apresentação do grupo, que serviu pra mostrar para o Slipknot que sim, Paul Gray faz falta, mas que mesmo sem o baixista, o público esta lá pra abraçar e dividir a dor com a banda. Paul Gray certamente estaria orgulhoso vendo a banda se dedicar assim novamente em um show. Acredito que depois da noite do dia 25 de setembro, o Slipknot também saiba disso.
O Slipknot é sim uma banda teatral, performática e energética. O público sempre soube disso, ainda mais depois de um show antológico desses no Rock In Rio. O fato é que esse show serviu para dar respostas a questionamentos provindos da própria banda. Se eles ainda têm dúvidas se devem continuar mesmo sem Paul Gray, se eles conseguem ainda aproveitar um show ou se vale a pena manter a banda viva, a respostas foi um grande SIM. O público que eles já tinham e os que eles conquistaram depois do show sabem disso. “Não conhecia muito Slipknot, mas posso garantir que esse foi o show mais louco que eu já vi! O Metallica é uma das minhas bandas favoritas e o show foi fenomenal, mas o do Slipknot foi sem palavras. Tô empolgado até agora!”, declarou o supervisor de vendas Paulo Uebel.
Ao fim do show, os que tiveram oportunidade de ver a apresentação da banda, onde quer que tenha sido o lugar e o modo, se perguntaram se o que tinha acontecido foi real. Não, aquilo não era real... Era insano. “Já fui a muitos shows na minha vida. Aliás, o Metallica é uma das minhas bandas favoritas, mas eu posso garantir que eu nunca fui a nenhum show como esse do Slipknot. Foi o show mais insano que eu já fui”, diz Ricardo Dias, engenheiro civil.
O fato do show do Slipknot ter sido o melhor show do Rock In Rio até então, depende de conceitos e gostos individuais de cada um. Mas uma coisa é fato: o show foi o mais insano e o mais surreal do evento, totalmente fora dos padrões comuns. Foi insano... Aliás, foi essa a palavra que regeu o show e que a partir daquela noite ganhou um novo sinônimo: Insano = Slipknot.
Formação:
Corey Taylor – Vocal
Mick Thomson – Guitarra
Jim Root – Guitarra
Joey Jordison – Bateria
Shawn Crahan – Percurssão
Chris Fehn – Percursão
Craig Jones – Teclados e Samplers
Sid Wilson - DJ
Set List:
1. Iowa + 742617000027 (Intro)
2. (sic)
3. Eyeless
4. Wait and Bleed
5. The Blister Exists
6. Liberate
7. Before I Forget
8. Pulse Of The Maggots
9. Disasterpiece
10. Psychosocial
11. The Heretic Anthem
12. Duality
13. Spit It Out
14. People = Shit
15. Surfacing
16. 'Til We Die (música de fechamento)
Após a performance do Mothorhead, cerca da 30 min se passaram até que os ajustes fossem feitos para que assim o Slipknot pudesse entrar. Aqui vale a primeira ressalva dessa resenha: a introdução do show. A introdução veio a cargo dos temas “Iowa” e “742617000027” o que colaborou muito com o clima de extrema apreensão/angústia. Nesse momento, a banda foi adentrando no palco aos poucos. Comemorando o aniversário de 10 anos do lançamento do seu segundo álbum de estúdio “Iowa”, os membros do Slipknot foram entrando um a um no palco trajando seus modelos antigos de macacões, mesclando também novas e antigas máscaras.
Os primeiros a aparecer foram o percursionista Shaw Crahan carregando em seus ombros o “pequenino” baterista Joey Jordison. O DJ Sid Wilson - protagonista de um dos momentos ápices do show – tentava pular para o meio da platéia, dando um enorme trabalho aos seguranças que tentavam tira-lo dali, trabalho esse que se estendeu durante todo o show. Shaw Crahan abraçava um membro da sua equipe de produção. Jim Root simplesmente segurava a sua guitarra, olhando fixamente para o público enquanto Mick Thomsom andava com a sua de um lado para o outro como se estivesse impaciente. O enigmático tecladista Craig Jones permaneceu estático durante toda introdução. Já o outro percursionista Chris Fehn entrou em transe com o seu kit de percussão. Tudo isso mostrava para o público que o que ocorreria naquela noite seria para muitos – banda e público - o momento mais apoteótico do Rock In Rio.
A apreensão do público era enorme. A introdução envolvia todos os presentes, assim como os membros da banda que se mostraram em êxtase ao ver o público que aguardava ansiosamente a banda executar a primeira música. Apreensão e um transe inexplicável tomaram toda a banda. Absorvendo toda a energia, o vocalista Corey Taylor, ao centro do palco, parecia aguardar ansiosamente o que o público poderia proporcionar à banda. Tudo o que o Slipknot fazia, assim como o público, era aguardar ansiosamente a introdução acabar. A empatia entre banda e público era grande e ambos estavam na mesma sintonia.
Então veio a contagem da bateria para a música “(sic)”. A cidade do Rock veio abaixo e mesmo aqueles que não conheciam diretamente o som da banda se deixaram levar pela intensidade da música, pela curiosidade de saber quem era aquele bando de caras com macacões de presidiários e máscaras medonhas ou pelo simples motivo de terem achado a banda um monte de loucos.
Durante todo o show, o Slipknot pareceu ser outro comparado às suas últimas apresentações. Desde a morte do baixista Paul Gray, o grupo fez apenas 12 shows - o primeiro foi em junho desse ano e o último em julho - e em todos os shows, a banda se mostrava meio abatida em relação às suas apresentações com Paul Gray. Porém, no show do dia 25 do Rock In Rio, a banda estava com a mesma empolgação da época em que o baixista ainda estava vivo. Parecia que, literalmente, Paul Gray estava com eles em cima do palco, fato esse que proporcionou algo que fazia tempo que a banda não sentia: se surpreender com o show e o público e curtindo-os, como se fosse o primeiro show de suas carreiras. A banda a todo o momento se mostrava pasma com o público, seja pela empolgação ou pelo surpreendente número de 100 mil pessoas no local. O Slipknot estava entorpecido de uma insanidade voluntária, sem precisar das drogas que os auxiliavam a fazer coisas insanas em tempos passados. Os integrantes estavam curtindo cada momento do show. Cada um a sua maneira, o Slipknot a cada música que passava reforçava sim que aquele seria o melhor show do Rock In Rio 4 e que a noite do dia 25 entraria definitivamente como a mais memorável da história da banda.
Nesse contexto, podemos enumerar 5 momentos ápices do show que contribuíram para esse feito:
- O primeiro momento, como dito antes, foi a apreensão dos integrantes e do público na introdução do show.
- O segundo momento foi antes de começar a música “Duality”, quando o DJ Sid Wilson, que diga-se de passagem foi de longe o mais doido da banda, resolveu escalar o house mix (lugar reservado para a equipe técnica) e ficou aguardando a música começar. Ao coro de 100 mil pessoas entoando em uníssono a introdução da música, a bateria Joey Jordison entrou e Sid Wilson simplesmente se jogou (!) de uma altura de mais de 5 metros em cima do público que veio a delírio. Não contente e dando muito trabalho aos seguranças, Sid subiu no house mix por uma segunda vez, repetindo assim o ato de se jogar no público.
- O terceiro momento foi ver a execução da música “Spit It Out” no qual Corey Taylor executou o já tradicional momento em que todos os presentes devem se agachar e pular juntos no dizer “jumpdafuckup”. Nesse momento, todos os presentes acataram ao pedido de Corey Taylor para “fazer a coisa mais maluca do mundo e entrar na história”. Todas as 100 mil pessoas se abaixaram a esperar ansiosamente a ordem de Corey para pular juntos e tornar aquele momento histórico. Para aqueles que acompanharam pela televisão, o respaldo obtido foi de que esse momento foi tido como um dos mais impressionantes do festival. “O melhor momento do show foi na 'Spit Out'. Nunca senti nada parecido na vida. É completamente louco estar entre 100 mil pessoas e todas elas fazerem a mesma coisa. Simplesmente insano ter participado disso!”, disse Michell Vinícius, técnico em informática.
- O quarto momento foi na última música “Surffancing”, em que a bateria de Joey Jordison através de um sistema mecânico começou a girar e a deixou na vertical, de cabeça pra baixo. Para quem é fã da banda, era algo já esperado. Para quem não era, o fato de ver o baterista tocar na vertical foi algo completamente fora do comum. Algo maluco e surreal. O que mais se ouviu na hora foi “o que é isso? Isso é muito louco!”. Mas o fato é que independente de ser fã ou não da banda, isso foi algo de extrema singularidade.
- O quinto e último momento foi ao final, quando os integrantes agradeceram imensamente ao público. Todos, em especial o vocalista Corey Taylor, o percursionista Shaw Crahan e o baterista Joey Jordison, talvez por serem mais próximos ao baixista falecido, ficaram muito emocionados. O Slipknot fez algo que em anos de banda eles não fazem de maneira tão intensa: agradecer ao público pelo suporte dado na noite, pelo carinho e pela extrema empolgação demonstrada. Eu ao menos não me lembro de ter visto a banda fazer esse gesto. Isto causou na banda uma grande comoção entre banda e público. Joey Jordison e Corey Taylor deram um abraço longo e emotivo ao fim do show e, logo depois, saudaram a platéia em uma redenção rara de se ver. Indo de encontro com a declaração de Corey Taylor ao fim do show que aquela noite ficou marcado na história da banda, após a apresentação do grupo, o guitarrista Jim Root afirmou em entrevista para a Multishow que aquele “foi o maior público para o qual o Slipknot já se apresentou na carreira”.
Teatrais e performáticos como antes, o Slipknot surpreendeu a todos que estavam presentes, fazendo com que todos pulassem, agitassem e cantassem todos os seus sucessos. O Slipknot “acabou” com o público e deixaram todos ali exaustos para ver o Metallica. Segundo Everton Oliveira, técnico em informática “O Slipknot detonou a platéia. Com certeza esse foi show mais completo que eu já fui em todos os sentidos. O melhor que eu já vi. Pura energia! Tudo no show foi memorável”.
Neste momento cabe um parênteses interessante. Mesmo quem nunca ouviu falar da banda, de um jeito ou de outro, se lembrará do Rock In Rio por causa daquele monte de doidos mascarados. Os caras marcaram não só aqueles que estavam lá, mas aqueles que também viram a performance do grupo pela TV. Para o Slipknot, a apresentação foi surpreendente, e igualmente surpreendente foi para aqueles que viram a apresentação do grupo, que serviu pra mostrar para o Slipknot que sim, Paul Gray faz falta, mas que mesmo sem o baixista, o público esta lá pra abraçar e dividir a dor com a banda. Paul Gray certamente estaria orgulhoso vendo a banda se dedicar assim novamente em um show. Acredito que depois da noite do dia 25 de setembro, o Slipknot também saiba disso.
O Slipknot é sim uma banda teatral, performática e energética. O público sempre soube disso, ainda mais depois de um show antológico desses no Rock In Rio. O fato é que esse show serviu para dar respostas a questionamentos provindos da própria banda. Se eles ainda têm dúvidas se devem continuar mesmo sem Paul Gray, se eles conseguem ainda aproveitar um show ou se vale a pena manter a banda viva, a respostas foi um grande SIM. O público que eles já tinham e os que eles conquistaram depois do show sabem disso. “Não conhecia muito Slipknot, mas posso garantir que esse foi o show mais louco que eu já vi! O Metallica é uma das minhas bandas favoritas e o show foi fenomenal, mas o do Slipknot foi sem palavras. Tô empolgado até agora!”, declarou o supervisor de vendas Paulo Uebel.
Ao fim do show, os que tiveram oportunidade de ver a apresentação da banda, onde quer que tenha sido o lugar e o modo, se perguntaram se o que tinha acontecido foi real. Não, aquilo não era real... Era insano. “Já fui a muitos shows na minha vida. Aliás, o Metallica é uma das minhas bandas favoritas, mas eu posso garantir que eu nunca fui a nenhum show como esse do Slipknot. Foi o show mais insano que eu já fui”, diz Ricardo Dias, engenheiro civil.
O fato do show do Slipknot ter sido o melhor show do Rock In Rio até então, depende de conceitos e gostos individuais de cada um. Mas uma coisa é fato: o show foi o mais insano e o mais surreal do evento, totalmente fora dos padrões comuns. Foi insano... Aliás, foi essa a palavra que regeu o show e que a partir daquela noite ganhou um novo sinônimo: Insano = Slipknot.
Formação:
Corey Taylor – Vocal
Mick Thomson – Guitarra
Jim Root – Guitarra
Joey Jordison – Bateria
Shawn Crahan – Percurssão
Chris Fehn – Percursão
Craig Jones – Teclados e Samplers
Sid Wilson - DJ
Set List:
1. Iowa + 742617000027 (Intro)
2. (sic)
3. Eyeless
4. Wait and Bleed
5. The Blister Exists
6. Liberate
7. Before I Forget
8. Pulse Of The Maggots
9. Disasterpiece
10. Psychosocial
11. The Heretic Anthem
12. Duality
13. Spit It Out
14. People = Shit
15. Surfacing
16. 'Til We Die (música de fechamento)
Slipknot, máscaras e amor pela música: uma das poucas bandas que ainda vale a pena.
Corey Taylor: "Nós não estamos nos escondendo atrás das máscaras, nós realmente nos revelamos mais do que você possa imaginar. A máscara que eu uso tira toda a crueldade que tenho dentro de mim, a qual odeio. Embora queime como o inferno, isso mantém minha integridade."
Chris Fehn: "Nossa música é muito potente, ela vem do coração. Como somos nove, temos várias influências, desde Slayer, Black Sabbath e Kiss. Nosso DJ gosta de jungle e coisas do tipo."
James Root: "Os caras escolheram essa máscara para me constranger. Demorou um pouco para me integrar a banda, pois era um cara tímido antes de me juntar a ela. Agora sou um retardado! Se sou tão psicótico quanto o resto? Me pergunte isso daqui a um tempo!"
Shawn Clown Craham: "Não estamos aí para tentar ser uma espécie de "Kiss Maluco" onde ninguém possa descobrir quem somos nós. Todos sabem que sou casado e tenho 3 filhos. Não estou aqui para levantar o meu ego. Não estou aqui para foder com tudo. Estou aqui para tocar música e fazer isso da melhor maneira possível. E se alguns fãs me reconhecerem por aí...cara, eu ficaria assinando autógrafos o dia inteiro. Tudo que faço é para eles. E não interessa como meu cabelo está ou como eu me pareço. As pessoas se preocupam em quem somos quanto à banda... quem é a banda... então percebemos que o foco principal está na música, e a música é tudo!"
Sid Wilson: "A máscara não deixa que o oxigênio chegue até o meu cérebro. Eu tenho alucinações e vertigens. A toda hora, não sei o que está havendo a minha volta. O público me ajuda com sua energia e me permite manter a linha."
Paul Grey (1972-2010 esteja em paz): "As máscaras representam uma 'anti-mensagem'. Nós não estamos preocupados com um penteado com estilo, ou com as roupas que vestimos, a nossa música vem primeiro, e com as máscaras, afastamos a imagem de rock star."
Mick Thomson: "Shawn, o palhaço, tinha sua máscara já fazia anos. Ele colocou a máscara num dia que a banda só estava zoneando e achamos engraçado. Então ele começou a usar a máscara sempre e depois cada um da banda resolveu trazer sua própria máscara. As máscaras mudam muito a gente, elas nos permitem ser alguém que não somos. Nós testamos, achamos muito doido e isso funcionou. Não foi uma grande invenção mas funcionou!"Craig Jones: "Geralmente, quando estamos seguindo para o palco, nós gostamos de mexer com o público. Quando as pessoas nos vêm chegando, todos saem da frente. Mas, às vezes, elas não saem..."
Joey Jordison: "Nós não usamos as máscaras para que as pessoas se interessem por nós. Depois de sermos constantemente insultados, só por tentarmos fazer um pouco de música em Des Moines (cidade donde vieram), percebemos que as máscaras deixariam nossas identidades anônimas. Ninguém se preocupou em descobrir quais eram nossos nomes ou como nos parecíamos, então percebemos que nos tornamos somente música. As máscaras começaram como algo pequeno e aos poucos as pessoas foram se interessando e a coisa foi crescendo. Mas a música com certeza é o mais importante. As máscaras e os macacões foram coisas que aconteceram e por alguma razão deram certo... foi por isso que continuamos com tudo, acabamos ficando presos às máscaras e às roupas."
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